Um pequeno blog em homenagem a Vinicius de Moraes
Quarta-feira, Setembro 12, 2007
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro" 1968
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:50 PM
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Quarta-feira, Setembro 05, 2007
Amigos
Amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o
amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus
amigos e o quanto minha vida depende de suas existências …
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não
posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem
noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em
síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando
daquele prazer …
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinícius de Moraes
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 6:15 PM
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Segunda-feira, Outubro 16, 2006
Soneto de inspiração
Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.
Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.
Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar ¿ soubesse eu ver
Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.
Rio de Janeiro, 1938
in
Novos Poemas
in Poesia completa e prosa: "A saudade do cotidiano"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:58 PM
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Terça-feira, Agosto 08, 2006
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Los Angeles, 07.12.1946
in Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 6:52 PM
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Quinta-feira, Abril 06, 2006
Como dizia o poeta
Vinicius de Moraes / Toquinho
Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão
RGE - 1971
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 2:10 AM
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Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Estoril - Portugal, 10.1939
in Poemas, sonetos e baladas
in Antologia Poética
in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 12:03 AM
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Segunda-feira, Novembro 14, 2005
Se todos fossem iguais a você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre teus braços e canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer
Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você
© Edições Euterpe LTDA
in "Orfeu da Conceição"1956
in "Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha - Gravado ao vivo no Canecâo"
in "Vinicius de Moraes"
in "Poeta, moça e violão / Vinicius Clara Toquinho"
in "Songbook ¿ Volume 1"
in "Vinicius"
in "Jobim Sinfônico"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:49 PM
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Terça-feira, Outubro 04, 2005
Para uma menina com uma flor
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara¿ na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora ¿ tão purinha entre as marias-sem-vergonha ¿ a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos ¿ eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações ¿ porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
in
Para uma menina com uma flor (crônicas)
in
Poesia completa e prosa: "Para uma menina com uma flor" 1968
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 11:07 PM
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Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Minha namorada
Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
© Tonga Editora Musical LTDA / Direto
in
"Vinicius e Caymmi no Zum Zum" 1965
in
"Vinicius: poesia e canção - ao vivo - vol. 2"
in
"Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha - Gravado ao vivo no Canecâo"
in
"Vinicius"
in
"Vinicius"
in
"Vivendo Vinicius ¿ ao vivo"
in
"Vinicius de Moraes"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:02 PM
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Sexta-feira, Agosto 19, 2005
Desalento
Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu chorei
Que eu morri
De arrependimento
Que o meu desalento
Já não tem mais fim
Vai e diz
Diz assim
Como sou infeliz
No meu descaminho
Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar
Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 12:49 AM
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Quarta-feira, Agosto 17, 2005
O velho e a flor
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:14 PM
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Segunda-feira, Agosto 15, 2005
O filho que eu quero ter
Vinicius de Moraes / Toquinho
É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem
De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter
Philips 1975
Ficha Técnica da Faixa:
Voz e violão: Toquinho
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 9:47 PM
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Sexta-feira, Agosto 05, 2005
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer ¿ e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Oxford, 1938
in
Poemas, sonetos e baladas
in
Antologia Poética
in
Livro de Sonetos
in
Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"
Nota:
O soneto é uma composição poética constituída por 14 versos, distribuídos, segundo o modelo petrarquiano (também chamado "soneto italiano"), em 2 quadras e 2 tercetos, as primeiras apresentando duas ordens de rimas e estes últimos duas ou três ordens. O esquema rimático mais freqüente é:
a b b a / a b b a / c d c / c d c
Tudo leva a crer que o soneto foi criado no século XIII, pelas mãos do poeta siciliano Giacomo de Lentino, em Palermo.
O primeiro grande nome ligado ao soneto é o de Dante, devendo-se a outro mestre da poesia, Petrarca, a consolidação e a difusão do modelo.
Em Portugal, o soneto teve como seu primeiro cultor o poeta Sá de Miranda. Camões dedicou-se amplamente ao soneto, alcançando com ele alguns dos mais altos momentos da literatura universal de todos os tempos.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 12:38 AM
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Sábado, Julho 23, 2005
Operários em construção
Às vezes, enquanto trabalho em casa, na minha máquina, e busco no abstrato da paisagem urbana a forma do que quero dizer, acabo esquecendo de tudo para fixar minha atenção sobre os operários que terminam o edifício em frente. Chegaram agora à fase em que só falta pintar as esquadrias e dar caiação final no primeiro andar. Venho, há meses, observando-os trabalhar, erguer a sólida estrutura de oito pisos, com três apartamentos por andar. Vi-os situar as fundações, levantar o cipoal de aço e cimento que era como o esqueleto do prédio. Vi-os colocar-lhe os soalhos, enquadrar-lhe as portas e janelas, revesti-lo de sua epiderme intensa de tijolos refratários. Fui espectador emocionado de suas perigosas passagens para a prancha móvel, à guisa de elevador, sobre a área mínima da qual suspendiam-se para rebocar e caiar os grandes muros externos laterais da construção paciente e imóvel. Juro que ouvia tambores surdos, como antes do número de sensação ao trapézio volante de um circo, cada vez que um daqueles homens cor de cimento fazia arriscadíssima passagem da janela para a prancha estreita presa a roldanas colocadas no alto do edifício. Admirei-os em suas displicentes poses escultóricas, mãos na cintura sobre a tábua balouçante, indiferentes à sucção do abismo aberto em espirais de morte sob seus pés. A um vi fazer pipi lá para baixo, num perfeito à-vontade, provocando-me necessidade idêntica, ai de mim, fruto de uma reação de meu vago-simpático (pois que sofro de vertigem das alturas). À noite, ouvi-os cantar, no barracão que levantaram no pátio dos fundos, enquanto o fogo de sua cozinha rústica crepitava no escuro e seus violões ponteavam bordões dolentes. Apreciei-os brincar e brigar, passarem-se objetos, jogando-os com incrivel precisão, discutir problemas de construção e lances de futebol e receber empregadas da vizinhança com as quais se internavam prédio adentro: e que alegres voltavam desses rápidos seqüestros!
Agora a estrutura se erige ¿ mais um apartamento na colmeia em torno ¿ e os operários esticam seu labor na preguiça dos retoques finais. Ergueram o prédio. Cumpriram seu dever. Criaram com suas mãos o plano de um arquiteto. Deram vida ao espaço. E em verdade eu vos digo que é justo o lazer que ora se permitem, pois multiplicaram uma só unidade residencial em muitas, capazes de abrigar as alegrias, tristezas, amores e lutas de outros tantos homens. E, fazendo-o, fizeram trabalho de homem.
09.1953
in
Para uma menina com uma flor (crônicas)
in
Poesia completa e prosa: "Para uma menina com uma flor"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:35 AM
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Quarta-feira, Maio 11, 2005
Soneto à Lua
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Rio de Janeiro, 1938
in
Novos Poemas
in
Antologia Poética
in
Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "
A saudade do cotidiano"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 10:33 PM
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Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot, a caminho da Inglaterra, 09.1938
in
Poemas, sonetos e baladas
in
Antologia Poética
in
Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa:
"O encontro do cotidiano"
in Poesia completa e prosa:
"Cancioneiro"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 9:22 AM
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Terça-feira, Dezembro 28, 2004
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Rio de Janeiro, 1951
in Novos Poemas (II)
in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 9:32 AM
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Terça-feira, Novembro 30, 2004
Ela é Carioca
(Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
Ela é carioca
Ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na cor dos seus olhos
As noites do Rio ao luar
Vejo a mesma luz, vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar
Ela é meu amor, só me vê a mim
A mim que vivi para encontrar
Na luz do seu olhar
A paz que sonhei
Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais
Ela é carioca
Ela é carioca
Versão original de 1693
Original em português
Versão em inglês:
She's a Carioca
Alguns discos que têm esta música:
The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim /
Antonio Carlos Jobim
Tom canta Vinicius /
Tom Jobim
Quarteto Jobim-Morelenbaum /
Quarteto Jobim-Morelenbaum
Garota de Ipanema / Vários / Various
Sergio Mendes & Bossa Rio /
Sergio Mendes / Bossa Rio
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:29 PM
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Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Para Viver Um Grande Amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
Do livro "Para Viver um Grande Amor" (1962)
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 11:11 AM
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Quinta-feira, Novembro 18, 2004
Eu Não Existo Sem Você
(Vinicius de Moraes/Tom Jobim)
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Manuscrito de Tom Jobim. Guia de orquestração para o maestro Leo Peracchi elaborar o arranjo de orquestra para o LP "Por toda minha vida", com a cantora Lenita Bruno, 1959.
No compasso 19 (o último da quarta pauta) Tom se esqueceu de escrever a cifra do acorde, um Ré maior: D7+ (ou Dmaj7).
Esta partitura inclui o lindíssimo interlúdio em Lá menor, só com a orquestra, que começa na sexta pauta. Depois, volta o canto.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 2:57 PM
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Terça-feira, Novembro 16, 2004
Chega de Saudade
(Tom Jobim & Vinícius de Moraes - 1956)
Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...
Chega de Saudade foi gravada pela primeira vez somente em abril de 1958 por Elisete Cardoso no LP "Canção do Amor Demais", para o selo não comercial "Festa". João Gilberto acompanhou no violão fazendo pela primeira vez o que depois seria chamado de "Batida de Bossa Nova". Em agosto de 1958 foi lançado o 78 rotações de João Gilberto com
Chega de Saudade de um lado e
Bim Bom do outro.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:54 PM
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Terça-feira, Outubro 26, 2004
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude
Rio de Janeiro, 1951
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 12:38 AM
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Sexta-feira, Outubro 22, 2004
Amigos
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o
amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus
amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não
posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem
noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em
síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando
daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 8:41 AM
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Sexta-feira, Outubro 15, 2004
Depoimento de Calazans Netto acerca de Vinicius
A passagem de Vinicius de Moraes pela Bahia, nós podemos resumir como uma passagem em Itapoã. Porque aonde realmente ele sentiu uma Bahia, mas uma mais morna. Mais cheia de encanto, uma Bahia cercada de uma paisagem muito bonita. E esta sua passagem por Itapoã marcou porque nós reuníamos aqui, eu no meu ateliê que era perto da casa dele, entao, todas as manhas nós conversamos até o fim do dia. Mas conversávamos sobre o quê?
Sobre a coisa que a vida tem de boa, as coisas amenas, então, não queríamos mudar nada, queríamos aceita a vida como ela era: gostosa, morna, engraçada. Então, a nossa conversa sobre como a gente podia ver um dia em Itapoã. Era o nascer do sol ao morrer do sol, às vezes sem fazer absolutamente nada: que chega um tempo que você descobre que o bom é não fazer nada. É ver o dia passar. No dia que você consegue como nós conseguimos, eu e Vinicius, conversando sobre amenidades, ver o dia passar, da manhã até o sol se por. É quando você realmente está tranquilo, aonde você não é neurótico, onde as coisas estão muito mais presas no seu íntimo. Então, era isso a nossa vida aqui em Itapoã com Vinicius de Moraes
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 3:46 PM
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Segunda-feira, Março 22, 2004
Depoimento de Chico Buarque a cerca de Vinicius de Moraes
Meu nome é Chico Buarque, eu conheci muito Vinicius. Convivi muito com ele e tenho lembranças demais. Agora, não sei por quê, agora, as que me ocorrem são lembranças engraçadas quase sempre se ligam a shows que fizemos juntos, porque o Vinicius é uma pessoa... era muito distraído, ne?
E ao mesmo tempo tinha uma auto-confiança incrível, que então mesmo quando errava, passava, ficava bem, porque ele errava com uma confiança incrível.
Eu me lembro de um show , aliás isto é uma exceção, não sei se é covardia dizer isso agora, porque eu nunca disse para ele. Um show em Portugal em que a gente fez, em Coimbra e tal, aqueles estudantes todos e foi um final apoteótico. O show foi um sucesso danado. Os estudantes de esquerda e tal. Aí, o Vinicius terminou depois do décimo bis, aí o copo de uísque na mão e ele disse assim: agora eu queria fazer uma saudação muito especial à mocidade portuguesa. Aí, o público de repente, começou a vaiar, vaiar, vair, e o Vinicius continuava agradecendo as vaias como quem agradecesse aplausos. Aí, depois, eu também não sabia o que estava acontecendo, fui saber que mocidade portuguesa é uma coisa tipo juventude hitlerista, que tinha lá no tempo de Salazar, né?
Mas falar, não falava muito bem, nenhuma dessas línguas. Eu lembro de um show na Itália, isso foi-me contado por um amigo em comum nosso italiano Sérgio Bradotti, que ele tava falando, falando, falando, o pessoal, ria, ria, ria, aí, o sujeito ao lado do Sério deu uma gargalhada incrível, porque Vinicius falou uma coisa muito engraçada, ele falou:
bravissimo, pero scusi, che lingua parla? E isso em todas as línguas.
Fonte: CD Vinicius 90 Anos
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 2:26 PM
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Sábado, Fevereiro 21, 2004
Onde tudo comecou
Bar Villarino
Situado estrategicamente nas proximidades do aeroporto, na esquina da Avenida Calógeras com Presidente Wilson, o Villarino era um dos locais preferidos pelos artistas, jornalistas, poetas e intelectuais do Rio para um bate-papo e um chopp no fim da tarde. Vários artistas em começo de carreira também apareciam por lá, procurando travar novas amizades. Algumas redações de jornais, gravadoras de discos, editoras, o Ministério da Educação e o Itamaraty, ficavam perto do bar. Na entrada, o Villarino é uma mercearia, vendendo comestíveis finos e bebidas importadas. Mais ao fundo, chega-se a um espaço com algumas mesas, onde o whisky é a bebida mais solicitada.
Na década de 50, muitos dos artistas que frequentavam o bar deixaram nas paredes as marcas de seu talento e algumas de suas obras. Os pintores Pancetti, Di Cavalcanti e Antonio Bandeira faziam desenhos; Ary Barroso escreveu os primeiros compassos de Aquarela do Brasil; Vinicius de Moraes e Pablo Neruda contribuíram de próprio punho com alguns poemas. Também lá ficaram as assinaturas de vários frequentadores. Entre eles, Paulo Mendes Campos, Antonio Maria, Dolores Duran, Aracy de Almeida, Mário Reis, Sérgio Porto, Paulo Soledade, Irineu Garcia, Elizete Cardoso, e, mais raramente, Carlos Drummond de Andrade. Saindo de seu trabalho na gravadora Odeon, Tom Jobim de vez em quando passava pelo bar, esperando por um horário mais desafogado de pegar uma condução de volta à Zona Sul, ou por uma carona.
Placa no interior do bar
Em 1956, talvez no outono, e não no verão, como consta na placa colocada junto à entrada do bar, o poeta Vinicius de Moraes, recém chegado de Paris, contava aos
amigos Lúcio Rangel e Haroldo Barbosa, numa mesa do Villarino, as novidades sobre a peça de teatro que queria encenar. Vinicius pensava em adaptar para o ambiente dos morros e das favelas cariocas o mito grego de Orfeu, o divino músico da Trácia, que desce aos infernos em busca de sua Eurídice. O projeto já andava por sua imaginação desde 1942, mas o terceiro ato só foi escrito no início dos anos 50, em Paris. Por sugestão de seu amigo, o poeta João Cabral de Melo Neto, o texto foi inscrito no concurso de peças de teatro do IV Centenário de S. Paulo, em 1954, no qual obteve o primeiro prêmio. Também foi publicado na íntegra na revista Anhembi.
Ainda em Paris, Vinicius obteve financiamento para a produção da peça. Com o texto pronto e premiado, Vinicius precisava de quem fizesse as músicas da tragédia carioca Orfeu da Conceição. O primeiro a ser consultado foi Vadico, compositor, pianista, e arranjador, parceiro de Noel Rosa em vários sucessos do calibre de Feitiço da Vila. Vadico não aceitou o convite, por achar que a tarefa era muito árdua para quem não andava com uma saúde de ferro.
E foi assim que, de volta ao Villarino, Lúcio Rangel sugeriu a Vinicius o nome do pianista Antonio Carlos Jobim, então com 29 anos. Tom Jobim e Vinicius já se conheciam desde 1953, mas ainda não eram amigos e tinham apenas uma relação cordial. Logo foi combinado um encontro entre os dois, apadrinhado por Rangel e Barbosa. No Villarino, é lógico (por outro lado, o letrista e jornalista Ronaldo Boscoli, que sabia dos planos do poeta, reivindica ter levado Tom à casa de Vinicius, e tê-lo indicado para a parceria, antes do encontro no Villarino). No dia marcado, Tom, com sua pasta de arranjador no colo, ouviu de Vinicius uma detalhada explicação sobre a peça Orfeu da Conceição, e de como o poeta imaginava a música que deveria permeá-la e juntar-se a algumas letras que já havia feito. De Tom Jobim, preocupado com um difícil início de carreira e com as contas que venciam no fim do mês, ouviu-se somente a frase famosa, relatada tantas vezes pelo próprio compositor em outras mesas de outros bares: "Tem um dinheirinho nisso?"
Lúcio Rangel, perplexo, ainda tentou consertar: "Mas Tom, como é que você ousa falar com o poeta sobre dinheiro numa hora dessas?"
Tom já morava no apartamento 201 da
Rua Nascimento Silva 107, em Ipanema, quando ele e Vinicius começaram a trabalhar nas músicas, por volta de maio de 1956. O poeta já lhe havia dado uma cópia da peça com indicações dos lugares onde entraria música, e esboços das letras de alguns sambas.
Tom Jobim contava que as primeiras produções da nova dupla não os entusiasmaram. Mas logo em seguida, acharam o rumo certo. Entre as músicas de Orfeu, está o sucesso mundial
"Se todos fossem iguais a você". Vinicius já trouxera pronta da Europa, letra e música, a valsa "Eurídice".
Nos anos 60, o proprietário do Villarino, aborrecido com o que considerava uma sujeira nas paredes de seu estabelecimento, mandou pintar tudo de verde. Nada se salvou. Anos depois, Antonio Vasquez Alvares, antigo garçom e novo proprietário, tentou recuperar as preciosidades que jaziam sob a pintura assassina, mas foi em vão.
Várias fotos da época ainda nos mostram um pouco do que ficou soterrado debaixo da atitude insensata do antigo dono do bar. Veja ao lado a reprodução de uma fotografia que está atualmente colada numa parede mais ao fundo do Villarino. Por trás dos que estão à mesa, pode-se ver alguns dos desenhos nas paredes.
Vinicius sorri à cabeceira da mesa; logo à esquerda na foto, está Lúcio Rangel; à direita de Vinicius, o pequeno Pedro, seu filho; em pé à direita, o poeta Paulo Mendes Campos; logo abaixo dele, o radialista Fernando Lobo.
Turma no Bar Villarino
O Villarino ainda está no mesmo lugar, e várias coisas, como por exemplo a simpatia dos garçons, continuam como antes. A mercearia na entrada continua oferecendo produtos finos. As mesas mais ao fundo convidam a um drink. Com exceção do crime das paredes, a casa permanece até hoje mais ou menos como era nos anos 50, e daí o seu charme especial.
Se você estiver no centro do Rio, vale a pena dar uma chegada ao Villarino para um whisky de fim de tarde. Você verá a foto acima em tamanho grande, e reconhecerá a mesa à qual Vinicius se sentava com seus amigos; percorrerão sua imaginação, como se por ali ainda estivessem, aqueles mesmos artistas pintando as paredes com seus desenhos e notas musicais; e, naquele ambiente agora mais tranquilo, "na hora do ângelus", como dizia Tom Jobim, você se deixará ficar um pouco, ao sentir que está respirando o ar da História.
Endereco: Villarino: esquina das avenidas Calógeras e Presidente Wilson
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:49 AM
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Nesse post vou colocar alguns dos varios parceiros q Vinicius teve durante sua carreira.
Parceiros que se tornaram ate mesmo "fãs" deste poeta, autor, escritor, cantor.
Em breve colocarei as letras das musicas aqui citas e tb de varias outras, alem de sonetos e poemas de Vinicius.
Tom Jobim
Em 1955, Vinicius montaria a peça Orfeu da Conceição, com música a cargo de um então jovem pianista; Tom Jobim. Surgia assim uma parceria que se estenderia por toda a vida profissional e pessoal. Uma série de intérpretes gravou composições inesquecíveis da dupla, como Canções do Amor Demais, Luciana, Estrada Branca, Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Só danço Samba, Insensatez, Ela é Carioca e Samba do Avião. Mais do que ninguém, o maestro, pianista, arranjador e violonista Tom foi o grande amigo.
Carlos Lyra
Os dois se conheceram em 1961, ano em que compuseram juntos Você e Eu e Coisa Mais Linda. Outras composições da dupla são Primeira Namorada, Nada como ter Amor e A Marcha da Quarta-feira de Cinzas.
Baden Powell
A parceria com o violonista começou em 1962, ano em que foram compostas as belas Samba da Bênção, Tem Dó, Samba em Prelúdio, Consolação, Canto de Ossanha e Samba de Oxóssi. Valsa do Amor que não vem, interpretada por Elizeth Cardoso, conseguiu o segundo lugar do I Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior de São Paulo, em 1965.
Toquinho
Da intensa parceria iniciada em 1969, surgiu a clássica Tarde em Itapoã. O primeiro disco da dupla foi lançado em 1971, quando os dois passaram a
se apresentar em numerosos shows no Brasil e no exterior.
Ao todo, foram quase 120 músicas compostas pelos amigos.
Francis Hime
Eu te amo, Amor, Saudade de Amar e Sem Mais Adeus são algumas das canções surgidas com a parceria entre o pianista e o 'Poetinha'.
Chico Buarque
Gente Humilde, cuja letra foi escrita a partir de um tema musical gravado na década de 50 pelo compositor Garoto, é um dos sucessos do encontro dos dois talentosos artistas.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:41 AM
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Nesta foto, nos anos 70 ao lado de seu grande parceiro de tantas e tantas musicas, cantadas e tocadas
1913
Nasce, em meio a forte temporal, na madrugada de 19 de outubro , no antigo nº 114 (casa já demolida) da rua Lopes Quintas, na Gávea, ao lado da chácara de seu avô materno, Antônio Burlamaqui dos Santos Cruz. São seus pais d. Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, este, sobrinho do poeta, cronista e folclorista Mello Moraes Filho e neto do historiador Alexandre José de Mello Moraes.
1916
A família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, nº 192, em Botafogo, passando a residir com o aos avós paternos, d. Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.
1917
Nova mudança para a rua da Passagem, nº 100, ainda em Botafogo, onde nasce seu irmão Helius. Vinicius e sua irmã Lygia entram para a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.
1919
Transfere-se para a rua 19 de fevereiro, nº 127
1920
Mudança para a rua Real Grandeza, nº130. Primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto. È batizado na maçonaria, por disposição de seu avô materno, cerimônia que lhe causaria grande impressão.
1922
Última residência em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, nº 195. Impressão de deslumbramento com a exposição do Centenário da Independência do Brasil e de curiosidade com o levante do Forte de Copacabana, devido a uma bomba que explodiu perto de sua casa. Sua família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, nº 109-A, onde o poeta passa suas férias.
1923
Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria.
1924
Inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente.
Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. Liga-se de grande amizade a seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este, sobrinho de Raul Pompéia, com os quais escreve o "épico" escolar, em dez cantos, de inspiração camoniana: os acadêmicos.
A partir daí participa sempre das festividades escolares de encerramento do ano letivo, seja cantando, seja atuando nas peças infantis.
1927
Conhece e torna-se amigos dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.
1928
Compõe, com os irmãos Tapajoz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande sucesso popular.
Por essa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.
1929
Bacharela-se em Letras, no Santo Inácio. Sua família muda-se da Ilha do Governador para a casa contígua àquela onde nasceu, na rua Lopes Quintas, também já demolida.
1930
Entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), onde se liga de amizade a Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.
1931
Entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).
1933
Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial de Reserva.
Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.
1935
Publica Forma e exegese, com o qual ganha o prêmio Felipe d¿Oliveira.
1936
Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher".
Substitui Prudente de Morais Neto, como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica.
Conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.
1938
Publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde parte em agosto do mesmo ano.
Funciona como assistente do programa brasileiro da BBC.
Conhece, em casa de Augusto Frederico Schimidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se torna um dos maiores amigos.
1939
Casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello.
Regressa da Inglaterra em fins do mesmo ano, devido à eclosão da II Grande Guerra. Em Lisboa encontra seu amigo Oswald de Andrade com quem viaja para o Brasil.
1940
Nasce sua primeira filha, Susana.
Passa longa temporada em São Paulo, onde se liga de amizade com Mário de Andrade.
1941
Começa a fazer jornalismo em A Manhã, como crítico cinematográfico e a colaborar no Suplemento Literário ao lado de Rineiro Couto, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo.
1942
Inicia seu debate sobre cinema silencioso e cinema sonoro, a favor do primeiro, com Ribeiro Couto, e em seguida com a maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti.
Nasce seu filho Pedro.
A convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros a Belo Horizonte, onde se liga de amizade com Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos.
Inicia, com seus amigos Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, a roda literária do Café Vermelhinho, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira, Bruno Giorgi.
Freqüenta, nessa época, as domingueiras em casa de Aníbal Machado.
Conhece e se torna amigo da escritora Argentina Maria Rosa Oliver, através da qual conhece Gabriela Mistral.
Faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.
1943
Publica suas Cinco elegias, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.
Ingressa, por concurso, na carreira diplomática.
1944
Dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer, Pedro Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros (Martim) Gonçalves, Arpad Czenes e Maria Helena Vieira da Silva.
1945
Colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema.
Faz amizade com o poeta Pablo Neruda.
Sofre um grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacir Werneck de Castro.
Faz crônicas diárias para o jornal Diretrizes.
1946
Parte para Los Angeles, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático. Ali permanece por cinco anos sem voltar ao Brasil.
Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.
1947
Em Los angeles, estuda cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film.
1949
João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa mensal, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema "Pátria minha"
1950
Viagem ao México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti.
Morre seu pai.
Retorno ao brasil.
1951
Casa-se pela segunda vez com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.
Começa a colaborar no jornal Última Hora, a convite de Samuel Wainer, como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.
1952
Visita, fotografa e filma, com seus primos, Humberto e José Francheschi, as cidades mineiras que compõe o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor que lhe for a encomendado pelo diretor Alberto Cavalcanti.
É nomeado delegado junto ao festival de Punta Del Leste, fazendo paralelamente sua cobertura para o Última Hora. Parte logo depois para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização dos Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade.
Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco elegias.
1953
Nasce sua filha Georgiana.
Colabora no tablóide semanário Flan, de Última Hora, sob direção de Joel Silveira.
Aparece a edição francesa das Cinq élégies, em edição de Pierre Seghers.
Liga-se de amizade com o poéta cubano Nicolás Guillén.
Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tú passas por mim".
Faz crônicas diárias para o jornal A Vanguarda, a convite de Joel Silveira.
Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada.
1954
Sai a primeira edição de sua Antologia Poética. A revista Anhembi publica sua peça Orfeu da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.
1955
Compões em Paris uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu Negro. No fim do ano vem com ele ao Brasil, por uma curta estada, para conseguir financiamento para a produção da película, o que não consegue, regressando em fins de dezembro a Paris.
1956
Volta ao Brasil em gozo de licença-prêmio.
Nasce sua terceira filha, Luciana.
Colabora no quinzenário Para Todos a convite de seu amigo Jorge amado, em cujo primeiro número publica o poema "O operário em construção".
Paralelamente aos trabalhos da produção do filme Orfeu Negro, tem o ensejo de encenar sua peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar.
Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.
Retorna ao poste, em Paris, no fim do ano.
1957
É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim do ano é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.
Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal.
1958
Sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP Canção do Amor Demais, de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas, no violão de João Gilberto, que acompanha acantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de Saudade", considerado o marco inicial do movimento.
1959
Sai o Lp Por Toda Minha Vida, de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno.
O filme Orfeu negro ganha a Palme d¿Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood, como melhor filme estrangeiro do ano.
Aparece o seu livro Novos poemas II.
Casa-se sua filha Susana.
1960
Retorna à Secretria do Estado das Relações Exteriores.
Em novembro, nasce seu neto, Paulo.
Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, pela Editora de Autor; a edição popular da peça Orfeu da Conceição, pela livraria São José e Recette de Femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff, em edição Seghers, na coleção Autour du Monde.
1961
Começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha.
Aparece Orfeu Negro, em tradução italiana de P.A. Jannini, pela Nuova Academia Editrice, de Milão.
1962
Começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, "Berimbau" e "Canto de Ossanha".
Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada Pobre menina rica.
Em agosto, faz seu primeiroshow, de larga repercussão, comAntônio Carlos Jobim e João Gilbert,na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e o "Samba da bênção"
Show com Carlos Lyra,na mesma boate, paraapresentar Pobre menina rica e onde é lançada a cantora Nara Leão.
Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais "Rancho das namoradas".
Aparece a primeira edição de Para viver um grande amor, pela Editora do Autor, livro de crônicas e poemas.
Grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.
1963
Começa a compor com Edu Lobo.
Casa-se com Nelita Abreu Rocha e parte em posto para Paris, na delegação do Brasil junto a UNESCO.
1964
Regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca.
Começa a compor com Francis Hime.
Faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Do show é feito um LP.
1965
Sai Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura.
Ganha o primeiro e o segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell.
Parte para Paris e St.Maxime para escrevero roteiro do filme Arrastão, indispondo-se, subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris voa para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim.
Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, nº20.
Começa a trabalhar com o diretor Leon Hirszman, do Cinema Novo, no roteiro do filme Garota de Ipanema.
Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.
1966
São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.
Aparece seu livro de crônicas Para uma menina com uma flor pela Editora do Autor.
Seu "Samba da bênção", de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de compositor e ator Pierre Barouh, no filme Un homme¿ une femme, vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano.
Participa do jurí do mesmo festival.
1967
Aparecem, pela Editora Sabiá, a 6ª edição de sua Antologia poética e a 2ª do seu Livro de sonetos (aumentada).
É posto à disposição do governo deMinas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto, cidade à qual faz freqüentes viagens.
Faz parte do jurí do Festival de Música Jovem, na Bahia.
Estréia do filme Garota de Ipanema.
1968
Falece sua mãe no dia 25 de fevereiro.
Aparece a primeira edição de sua Obra poética, pela Companhia José Aguilar Editora.
Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti.
1969
É exonerado do Itamaraty.
Casa-se com Cristina Gurjão.
1970
Casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy.
Nasce Maria, sua quarta filha.
Início da parceria com Toquinho.
1971
Muda-se para a Bahia.
Viagem para Itália.
1972
Retorna à Itália com Toquinho onde gravam o LP Per vivere un grande amore.
1973
Publica "A Pablo Neruda".
1974
Trabalha no roteiro, não concretizado, do filme Polichinelo.
1975
Excursiona pela Europa. Grava, com Toquinho, dois discos na Itália.
1976
Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.
Casa-se com Marta Rodrihues Santamaria.
1977
Grava um LP em Paris, com Toquinho.
Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão.
1978
Excursiona pela Europa com Toquinho.
Casa-se com Gilda de Queirós Mattoso, que conhecera em Paris.
1979
Leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder sindical Luís Inácio da Silva.
Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
1980
É operado a 17 de abril, para a instalação de um dreno cerebral.
Morre, na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher.
Extraviam-se os originais de seu livro O dever e o haver.
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:24 AM
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Aqui comecarei um blog em homenagem ao "poetinha" que na verdade foi muito mais do que um poeta
postado por: THIAGO FERNANDO COSTA DOS SANTOS 1:22 AM
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